Arquitetura e Decoração

Poltrona Mole do design Sergio Rodrigues completa 60 anos e ganha homenagem


 

A loja Lilia Casa, que é referência no melhor do design e decoração no Estado, promoveu este mês um happy hour para lançamento da nova vitrine e em comemoração aos 60 anos da poltrona Mole do design Sergio Rodrigues. As arquitetas Anelise Carvalho e Alexandra Martins foram as responsáveis pela ambientação da vitrine brasileiríssima.

 

Poltrona Mole na Loja Lilia Casa

 

Sergio é, sem dúvida alguma, uma das mais admiráveis expressões do design em nosso país. O traço coerente e único inscreveu seu nome na história do design do século 20, sobretudo pela criação de uma grande variedade de produtos, dos quais o mais famoso é a Poltrona Mole.

Criada em 1957 pelo arquiteto carioca Sérgio Rodrigues, a cadeira Mole até hoje faz sucesso como um dos grandes ícones do design moderno.

 

Em uma época na qual predominavam os pés palito na produção moveleira nacional, o designer Sérgio Rodrigues pensou em um móvel para expressar a identidade brasileira, com pés bem torneados, com muita madeira, couro e características que mais tarde, viriam a consagrá-lo como ícone do design brasileiro.

O sociólogo Odilon Ribeiro Coutinho chega a afirmar que a Mole foi o primeiro objeto de arte “irredutível” brasileiro, que não imitava o colonizador. “É uma síntese admirável do espírito brasileiro.”

Convidado para participar do Concurso Internacional do Móvel de Cantu na Itália, em 1961, Sérgio inscreveu a poltrona e foi o grande vencedor da premiação, fato fundamental para projetar o Brasil no cenário internacional do design.

 

Em seus 60 de sucesso, a Lilia Casa presta a homenagem e você pode conferir de perto o móvel, mas antes conhecer mais sobre a história da Poltrona Mole.

Com a palavra, Sérgio Rodrigues

“É uma poltrona superpreguiçosa. Na época, eu tinha na cabeça a ideia de fazer uma peça que pudesse ficar em qualquer ambiente, que não fosse uma cama nem um colchão, mas bem confortável. Quando o Otto Stupakoff me pediu uma peça para o estúdio dele, imaginei um apartamentinho bem pequeno e pensei em um sofá que não fosse parecido com uma cama ou um sofá-cama, mas que fosse tão confortável quanto. A poltrona Mole começou sendo, na verdade, um sofá (para dois lugares). Na hora de pagar, o Otto disse que não tinha nenhum dinheiro, mas ofereceu uma fotografia de caráter internacional para o lançamento do sofá. Eu topei, e, como o estúdio dele não tinha um fundo infinito, dei a ideia de levarmos a peça para a praia. Naquela época, havia pouca gente no Leblon e, quando a maré estava baixa, a areia ficava plana, maravilhosa. Colocamos lá o sofá e o Otto foi arrumar a câmera. Mas demorou tanto que o mar veio com força total e molhou o sofá inteiro. Mesmo assim, ele foi inaugurado com sucesso.

 

Sergio é, sem dúvida alguma, uma das mais admiráveis expressões do design em nosso país

 

Na época, era moda ter o sofá e as poltronas combinando. Muita gente pedia e resolvi fazer um sofazinho de um lugar, que virou a poltrona Mole. Mesmo assim, a poltrona ficou um ano na vitrine sem nenhum comprador. Eu acreditava nela, mas os meus sócios pediram para colocá-la no fundo da loja. Foi quando ela foi comprada pela diretora do Museu de Arte Moderna do Rio. Eu fui ver onde ela ia ficar, entrei em uma galeria de arte, com peças perfeitas da Bauhaus, e lá estavam as minhas poltronas. Foi quando eu comecei a acreditar no sucesso delas. Depois disso, o Roberto Marinho comprou mais duas para o seu iate. Eu nunca imaginei que ia ganhar prêmios ou que a poltrona fosse ficar famosa. Eu só queria algo confortável.

 

 

O nome da poltrona surgiu, na verdade, dos operários da fábrica. O protótipo estava sendo feito e eu recebi uma ligação logo cedo dizendo que o conde estava dormindo no sofá e roendo os pés daquela poltrona molenga. Não entendi nada. Eu tinha um sócio que era conde na Itália, mas ele não ia estar roendo o sofá, né? Quando cheguei lá, descobri que o cachorro que ficava vigiando a fábrica é que se chamava conde. E a poltrona continuou sendo chamada de molenga, mole.

 

A poltrona se tornou símbolo do design brasileiro porque o sucesso continuou lá fora. Depois de ganhar o Concurso Internacional do Móvel em Cantù, na Itália, o pessoal dizia que era a única peça brasileira que não era um rabisco tropicalista. Era uma peça que tinha valor. Eu sempre dei muita atenção ao acabamento da madeira, desde quando fazia brinquedos na infância.”

 

 


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