Moda

Celebridades usam preto no tapete vermelho do Globo de Ouro


 

O tapete vermelho do Globo de Ouro é sempre um dos mais aguardados da temporada de premiações em Hollywood. Desta vez, no entanto, o red carpet gerou expectativa por outro motivo: a campanha do Time’s Up, entidade recém-criada por mulheres que trabalham na indústria cinematográfica para lutar contra o assédio e a desigualdade de gênero no ambiente de trabalho.

 

Com o endosso de mulheres como a roteirista Shonda Rhimes e as atrizes Meryl Streep e Reese Witherspoon, o Time’s Up lançou sua primeira ação com um pedido: que as convidadas para o Globo de Ouro deste ano usassem preto para a festa, usualmente conhecida por seu tom mais informal e divertido do que os Oscars.

 

“No domingo vestimos preto para manifestar solidariedade às mulheres e homens em todos os lugares que foram silenciados pela discriminação, assédio ou abuso. Aonde quer que você esteja, quem você seja, o que for que esteja fazendo. Junte-se a nós”, convocou um dos posts da conta do Time’s Up no Instagram que, criada há apenas seis dias, já conta com 175 mil seguidores.

 

O movimento, naturalmente, surge diante da leva de denúncias que continuam a atingir alguns dos homens mais poderosos de Hollywood. O caso mais emblemático, até agora, foi o do produtor Harvey Weinstein. Após décadas desfrutando de prestígio, Weinstein sucumbiu após um artigo do “The New York Times” revelar que, por anos, o produtor assediou atrizes e funcionárias da Miramax e da Weinstein Company, empresas das quais é co-fundador. A reportagem fez com que celebridades como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Lea Seydoux e Cara Delevingne quebrassem o silêncio e contarem que também foram vítimas de assédio e intimidação por parte de Weinstein.

 

As revelações do caso de Weinstein não impressionam apenas por mostrar como algumas das mulheres mais famosas, ricas e influentes do mundo estão também à mercê de agressores no ambiente de trabalho. Atrizes menos conhecidas, como Ashley Judd e Mira Sorvino, tiveram oportunidades de ascender na carreira perdidas por conta da influência do produtor americano, após as duas esquivarem-se de suas abordagens sexuais.

 

Além de Weinstein, somam-se denúncias de assédio contra o ator Kevin Spacey (neste caso, as investidas teriam sido em homens), o diretor Brett Ratner e o comediante Louis C.K, apenas para citar os casos de maior repercussão.

 

Mesmo assim, a campanha do Time’s Up não foi unanimidade. Uma das atrizes a acusar Weinstein de assédio, Rose McGowan, conhecida por seu papel na série “Charmed” acusou o gesto de usar preto como hipocrisia. Em um tweet já deletado, a americana não poupou nem Meryl Streep, que também é militante dos direitos das mulheres. Streep, que trabalhou por diversas vezes com Weinstein, já veio a público dizer que nunca soube nada a respeito das acusações que pairavam sobre o produtor.

 

“Atrizes, como Meryl Streep, que trabalharam felizes para o porco monstruoso, vão usar preto no Golden Globes em um protesto silencioso. O SEU SILÊNCIO é O problema. Vocês vão aceitar um prêmio falso sem hesitar e não vão fazer nenhuma mudança real. Eu desprezo a sua hipocrisia. Talvez vocês todos devam usar Marchesa”, escreveu a atriz.

 

Marchesa, a grife à qual McGowan fez alusão em seu tweet, pertence à mulher de Weinstein, a estilista britânica Georgina Chapman. A marca não ficou imune aos escândalos: segundo reportagem do “The Holywood reporter”, atrizes teriam sido pressionadas por Weinstein a usar a etiqueta no tapete vermelho. Temporadas atrás, Sandra Bullock, Penelope Cruz, Renee Zellweger e Anne Hathaway foram algumas das celebridades a desfilar sorridentes para as câmeras de Marchesa. Algo, no entanto, que não deve nunca mais se repetir. Já sobre os casos de assédio em Hollywood, não se sabe se poderemos um dia dizer o mesmo.

 


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