Beleza e Saúde

Câncer de pele é o mais freqüente no Brasil. No Piauí, em 2016, foram quase 1.800 casos da doença


 

Dezembro é o mês da campanha de prevenção ao câncer de pele, o de maior incidência no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A estimativa é que 30% de todos os tumores malignos registrados no país sejam não melanomas, que são tumores de pele que apresentam alto percentual de cura, quando detectados precocemente.

No Brasil, a ocorrência desse tipo de câncer em 2016 foi de quase 176 mil de novos casos, que resultaram em 1.769 de mortes. No Piauí, o INCA informa a ocorrência de quase 1.800 casos de não melanoma em todo o estado, com 230 registros só na capital. O percentual de incidência em homens e mulheres é semelhante, ficando em torno de 54%.

 

A dermatologista Kamilla Santos

 

De acordo com a dermatologista Kamilla Santos, a população do estado deve ficar alerta aos sintomas da doença, principalmente, porque o Índice Ultravioleta (IUV) no Piauí é geralmente classificado como “muito alto”. A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para os próximos quatro dias no estado é um IUV entre 11 a 13, considerado um nível “extremo” de radiação solar. Para quem não sabe, o IUV é um padrão internacional de medição que classifica a intensidade dos raios solares na pele.

“A população tem que se proteger, usar protetor solar com reaplicação a cada duas horas pele menos e para quem não tem condição, usar uma barreira física, como roupas mais cobertas, com mangas compridas, sombrinhas, chapéus, mas não esquecendo que o uso do protetor solar é fundamental, principalmente, porque o nosso estado tem uma alta incidência de raios solares o ano quase todo”, alerta a dermatologista Kamilla Santos.

A médica chamou ainda atenção para a importância do autoexame na pele e de suspeitando de algo anormal, procurar um especialista.  “Manchinhas escuras com bordas irregulares que coçam e descamam precisam ser investigadas. Também é importante verificar se a manchinha está crescendo, se mudou de cor. Percebendo algum desses sinais, a indicação é procurar um dermatologista.

 

Kamilla Santos frisa o cuidado maior que pessoas de pele clara, acima dos 40 anos

 

Kamilla também frisa o cuidado maior que pessoas de pele clara, acima dos 40 anos e com casos de câncer na família devem ter. “A pele clara requer maiores cuidados, com redobrado uso do protetor solar e proteção com barreira física. Em Teresina, é impossível não se expor ao sol, mas a proteção deve ser buscada. Para quem tem ou teve algum membro da família diagnosticado com câncer de pele, os cuidados devem ser redobrados e consultas rotineiras adotadas”, destaca.

A professora e diretora da rede municipal da capital, Joelma Barbosa, levou um susto quando descobriu que estava com melanoma, um tipo de câncer de pele grave. Apesar de estar sempre atenta porque há vários casos da doença na família, ela descobriu o melanoma numa consulta rotineira ao dermatologista. “Foi desesperador, por causa do histórico, você imagina, já perdi meu pai, a minha irmã mais nova já tinha tirado um, foi muito ruim. Então, eu retirei a mancha, o médico me encaminhou rapidamente ao oncologista, mas eu não precisei fazer nenhum tratamento (quimioterapia ou radioterapia), só foi feito um aumento de margem na cirurgia, eu retirei a mancha e um pouco mais da pele e a partir disso eu faço controle anula”, conta a professora.

Joelma, que classifica a própria pele como “parda” revelou que antes do câncer não usava protetor solar de jeito nenhum. “Eu tinha pavor de usar protetor solar, mas depois disso passei a usar fator 70 (FPS) e quando vou me expor ao sol eu visto uma roupa de manga longa e quando vou à praia procuro usar roupas com UVA, não me exponho muito, tomo vitamina D por causa disso e tomo todos os cuidados”, admitiu.

 “Se exponha, mas não se queime”

Desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desde 2014, o movimento Dezembro Laranja tem como objetivo promover a conscientização da população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, incluindo a importância da fotoproteção em suas diferentes formas para a redução dos riscos. Este ano o slogan da campanha é “Se exponha, mas não se queime”

 

Manchinhas escuras com bordas irregulares que coçam e descamam precisam ser investigadas

 

A recomendação é usar equipamentos de proteção individual (EPI) como chapéus de abas largas, óculos escuros, roupas de cubram boa parte do corpo e protetores solares com fator mínimo de proteção solar (FPS) 30. A hidratação constante também faz parte dessas medidas fotoprotetoras, sem esquecer de evitar os horários de maior insolação: das 10h às 16h.

“No geral, a indicação é um fator de proteção acima de 30, mas é importante levar em consideração a cor do paciente, fatores de risco como parentes que já tiveram câncer e pele mais clara. Já uma pele negra ou morena o fator 30 é suficiente, mas aqui no Piauí um fator acima de 30 é o indicado”, orientou a dermatologista Kamilla Santos.


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